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02/06/2017

Crise não apaga acertos de Temer nem pode colocar futuro em risco

Artigo publicado em 02/06/17, no portal Poder 360, editado pelo jornalista Fernando Rodrigues

Passaram-se 28 dias desde que fiz neste Poder360 um balanço positivo do primeiro ano pós-impeachment e da reconquista de uma agenda para reconstruir as bases da economia nacional. Parecem ter sido muito mais, diante da crise deflagrada pela divulgação de conversas gravadas por um dos empresários que mais enriqueceram no período lulopetista, em condições no mínimo suspeitas e que precisam ser esclarecidas. Inevitavelmente, o clima de instabilidade e incertezas exige um novo prognóstico do que está por vir, mas não pode apagar os méritos dos acertos passados nem abalar os compromissos com o futuro do Brasil.

No campo econômico, o impacto provocado pela delação dos irmãos Batista foi imediato, mas não catastrófico. A despeito de se ter acionado o circuit breaker da Bolsa de Valores de São Paulo pela primeira vez desde a crise financeira mundial de 2008, daquele 18 de maio para cá não se viu volatilidade exagerada nem câmbio discrepante. A inflação atual e futura permanece sob controle e a taxa de juros, ainda que em ritmo menor do que o desejado, segue em trajetória de queda, mesmo diante das novas incertezas.

Não custa repetir: são sinais de que a agenda cumprida pelo governo Michel Temer, com amplo apoio do Congresso Nacional, tem sido consistente e eficaz na recuperação dos fundamentos econômicos destruídos pelo biênio de recessão provocada pela gestão passada. O crescimento de 1% do PIB no primeiro trimestre coroa as boas ações já tomadas.

Apesar disso, ainda há um grave desafio a ser enfrentado de forma prioritária por quem é comprometido com o interesse coletivo e nacional. O desemprego, última e mais cruel sequela da política econômica irresponsável de Dilma Rousseff, continua a afligir um alto contingente de brasileiros: mais de 14 milhões de pessoas e suas respectivas famílias, segundo o IBGE.

Quem mais sofre com essa tragédia da falta de vagas são os menos escolarizados, os de menor renda e muitos dos jovens que têm sua entrada no mercado de trabalho no mínimo bastante dificultada, quando não postergada, pelos investimentos que deixaram de ser feitos em virtude da recessão. É neles que homens e mulheres que se dedicam à vida pública devem pensar em suas declarações, posicionamentos e tomadas de decisão.

Trata-se de colocar como prioridade para qualquer atitude num momento tão delicado da vida nacional a retomada do crescimento econômico consistente, de modo a reaquecer o mercado de trabalho e devolver a confiança em dias melhores para milhões e milhões de brasileiros. Daí ser preponderante preservar a agenda das reformas previdenciária e trabalhista. São propostas que extrapolam este ou aquele governo: são uma agenda do país e de seu futuro.

É compreensível que as pessoas queiram uma solução imediata para os problemas do país diante da falta de emprego, do menor poder de compra, da redução de mais de 9% da renda per capita entre 2014 e 2016. Ou que se deixem levar pela nostalgia dos tempos em que a pouca virtude foi protegida pela boa fortuna, para usar os conceitos consagrados por Maquiavel. Em ambos os casos, é igualmente claro que medidas voluntaristas ou casuísticas não são a resposta – ao contrário, tendem a agravar o problema.

É sob essa perspectiva da situação econômica que se devem pensar as decisões políticas, seja em momentos graves, seja nas conjunturas favoráveis. Por deixar de levar em conta tal premissa, o lulopetismo desperdiçou a bonança das commodities na década passada e viu seu projeto obsoleto de nação ruir após fazer o diabo para permanecer no poder.

Não há como dissociar a licenciosidade que permeou as relações público-privadas dos últimos anos à total falta de responsabilidade dos que comandavam o governo até um ano atrás. Ao mesmo tempo, há que se reconhecer que a política em geral precisa ser tratada sob novas bases, mais firmes no respeito às leis e à Constituição, assim como no compromisso com valores democráticos e republicanos. A serenidade amparada pelos preceitos constitucionais e a disposição ao diálogo e ao consenso são o melhor instrumento para não cair na armadilha demagógica dos reacionários.

Em nome dos que estão sem trabalho no Brasil real, precisamos arregaçar mangas para consolidar uma agenda eficiente e eficaz de incentivo ao crescimento sustentável e consistente e firmar o compromisso de buscar convergências em nome do interesse nacional. Sem isso, o país estará fadado a escrever mais um capítulo de um passado a esperar um futuro que nunca chega.

José Aníbal é presidente nacional do Instituto Teotônio Vilela e suplente de senador por São Paulo. Foi deputado federal e presidente nacional do PSDB.

Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

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