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14/06/2017

Ainda sobre virtudes e adversidades

Artigo publicado no Blog do Noblat em 14/06/2017

Há um legítimo anseio da população brasileira por um país mais próspero, um estado mais funcional, uma política de moral renovada, uma sociedade mais justa e menos desigual. A construção desse caminho é a missão dos que abraçam a causa pública. Uma missão árdua, repleta de obstáculos e intempéries que nem sempre estão claras, mas podem interromper o curso do que se almeja. Perseguir um ideal não se resume a dar passos à frente nem sair em disparada sem saber aonde se quer chegar.

A gravidade da crise moral na política é tão inegável quanto a urgência em se retomar o crescimento econômico e o emprego. A necessidade de os partidos se reaproximarem das pessoas é tão pertinente quanto recompor a renda dos que sentiram na pele os efeitos de mais de dois anos de recessão. A importância das investigações judiciais em curso é tão incontestável quanto a preservação das instituições que compõem o regime republicano e o estado democrático de direito.

Não são frases lançadas ao léu. São uma síntese do quão complexa é a crise em que anos de licenciosidade e irresponsabilidade nos lançaram. As soluções para esses graves problemas não são estanques nem dicotômicas; elas precisam ser planejadas e perseguidas simultaneamente. É um falso dilema pensar que se é possível trocar um crescimento econômico maior por um ambiente político degradado, ou que se pode melhorar a representatividade do sistema político sem melhorar as condições de vida da população.

Num sistema democrático, regido por uma Constituição, não existe justiça se o revanchismo e o desejo de sangue prevalecerem sobre as garantias à ampla defesa e à obrigação de se apresentar provas de um crime. Os prejulgamentos, como diz a semântica, não passam de decisões prévias, açodadas e sem o uso da razão.

Sem racionalidade e estratégia, a caminhada por um país melhor se transforma em corrida desenfreada na qual se perde o fôlego muito antes da linha de chegada. A recuperação do Brasil é uma maratona na qual ainda estamos nos primeiros quilômetros. Acelerar o passo cria a falsa ilusão de se estar mais próximo do objetivo, quando na verdade torna mais difícil chegar ao metro final.

Os passos que o Brasil precisa dar são as reformas estruturantes. Paralelamente, é preciso fazer andar também uma nova base ética e moral para a condução das discussões políticas e para o funcionamento dos partidos. Só assim poderemos construir a melhor estratégia para a caminhada nacional: a construção de uma agenda de campanha para 2018 baseada na racionalidade, na convicção de que é preciso afastar qualquer solução salvacionista e sectária como as que insistem em surgir no horizonte. Sem firmeza na defesa do que é inadiável para o Brasil, estaremos fadados a ficar pelo caminho.

José Aníbal é presidente nacional do Instituto Teotônio Vilela e suplente de senador por São Paulo. Foi deputado federal e presidente nacional do PSDB.

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